A CAPACIDADE DE RIRMOS DE NÓS PRÓPRIOS

Sabermos rir de nós próprios é uma prova de sabedoria e maturidade. Significa que reconhecemos os nossos limites, temos consciência das nossas imperfeições e nos aceitamos exactamente assim. Conseguirmos isto faz com que tenhamos a capacidade de compreender melhor os outros, de desvalorizarmos coisas insignificantes e assim, termos relacionamentos mais felizes e sermos pessoas mais agradáveis.

Alguém que se leva exageradamente a sério torna-se arrogante, demasiado crítico e pouco tolerante. Nem é feliz nem deixa ninguém ser feliz à sua volta. Perante um comentário menos positivo reage como se estivesse a ser atacado, o que na verdade mostra insegurança e fraca auto-estima.

Quem se ama, sente-se seguro sobre si próprio e sobre os seus  actos. Consegue brincar com criticas e responder com ligeireza e bom humor. Consegue ouvir, pedir desculpa e mudar se achar que o deve fazer.

Os casais que eu conheço que estão juntos há uma eternidade e continuam felizes são aqueles que mais capacidade têm de rir de si próprios. Lembro-me de um em especial, a Ana e o Bruno,  que são o casal mais divertido que conheço. Em casa deles ri-se muito mesmo. Há momentos em que, quem não os conhece, pode pensar que eles estão a gozar um com o outro, mas a verdade é que no fundo eles estão a dizer um ao outro que apesar das falhas e fraquezas de cada um, continuam a aceitar-se exactamente como são e a amar-se.

É bonito ou não é?

Se eu consigo rir de mim própria? Tenho dias em que estou mais bem disposta e outros em que nem por isso. Tenho momentos e tenho pessoas. Momentos de stress em que tudo o que me dizem me irrita. Pessoas que têm a capacidade de me por a ranger os dentes muito facilmente e outras com quem sou de gargalhada fácil.

O que é que isto me diz sobre mim? Diz-me que tenho trabalho a fazer.

Bora lá rir mais de nós próprios e ser mais felizes? 😀

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MUDAR DE VIDA

Parece que toda a gente à minha volta está insatisfeita com a vida que tem, principalmente a nível profissional. Há muita gente desempregada ou em trabalhos precários. Há muita gente que teve que emigrar para conseguir trabalhar. Há muita gente que estudou muito na área que o apaixona e que teve que abandonar para fazer o que apareceu, para ter um ordenado da treta ao final do mês. Estes, toda a gente compreende que estejam insatisfeitos.

No entanto, há igualmente muita gente que tem o trabalho que sempre desejou e é bem pago por isso e também está insatisfeito. Querem mais e melhor. Ou querem diferente. Ou não sabem o que querem. Sabem apenas que não se sentem no seu melhor. Que não têm tempo para fazer as coisas que realmente os apaixonam porque as obrigações que têm os deixam assoberbados.

Eu própria, tenho a profissão que escolhi e estou insatisfeita. A nível de ordenado recebo o espectável para a função que desempenho ou seja, não andei iludida a achar que ía receber mais. Vejo muitas vantagens na minha profissão, principalmente a disponibilidade que consigo ter para os meus filhos sempre que necessário. Mas mesmo assim, estou insatisfeita. Muito insatisfeita. Há-de haver quem esteja a pensar que estou armada em parva e que tenho mais é que agradecer o facto de ter um trabalho. A esses posso dizer que me sinto muito grata por ter este trabalho, porque me tem sustentado a mim e aos meus e porque me permite dar aos meus filhos o apoio de que as crianças pequenas precisam. No entanto, não quero ter este trabalho a vida toda porque sinto que há mais e melhor reservado para mim. Sinto que mereço ter uma profissão que me permita dar o melhor de mim e ser melhor a cada dia.

Hoje sei que quando escolhi a minha profissão, não o fiz pelos motivos correctos. Apesar de os meus pais nunca me terem influenciado neste sentido, nem noutro qualquer, tudo à minha volta me condicionou. Há um percurso que se espera que as pessoas percorram. E eu, como “boa miúda” e “atinada” que era, percorri o meu.

São muito poucos os abençoados que aos 13 ou 14 anos, quando o sistema de ensino lhes começa a exigir as primeiras escolhas, fazem ideia o que querem fazer no resto das suas vidas.

Eu andei até os trinta e tal sem saber o que queria ser quando fosse grande.

Mesmo os que acham que sabem, acabam muitas vezes por mudar de ideias porque os interesses vão mudando há medida que crescem, porque as coisas que valorizam se alteram, porque surgem novas possibilidades, porque conhecem novas pessoas ou novos lugares que os inspiram.

Quando isto acontece, quando a mudança começa a apetecer, há quem tenha maturidade para reestruturar a sua vida, dar um passo atrás e reinventar-se e há quem não tenha. Há quem pense que é tarde de mais. Eu percebi no início da faculdade que não estava no caminho certo, mas não quis ouvir aquela vozinha que insistentemente na minha cabeça me dizia que tinha que voltar atrás e recomeçar. Não quis ouvir, porque era difícil, porque não sabia que nova direcção seguir, porque exigia coragem,  porque exigia deixar para trás uma vida que eu estava a adorar. Eu era uma miúda e não tinha noção do peso que a não mudança teria na minha vida.

 

Hoje sei o que quero e como lá chegar. Não foi fácil descobrir, deu muito trabalho, foi necessário desconstruir-me para perceber como montar o puzzle novamente. Agora que sei para onde vou, estou a caminho. É um caminho mais longo e demorado porque tenho dois filhos e não posso pura e simplesmente jogar tudo para trás das costas como teria feito aos vinte anos, mas estou a caminho.

A todos os insatisfeitos eu tenho vontade de dizer, muda-te. Mas quem sou eu para o fazer? Cada um sabe da sua vida e dos seus condicionamentos. Cada um que decida como viver.

Quanto a mim, não desisto. Quero chegar ao final da vida, bem velhinha, olhar para trás e sentir que valeu a pena. Quero sentir que vivi intensamente, que me diverti, que me melhorei a cada dia, que me amei e me tratei bem e que por tudo isto dei o melhor de mim.

Aos mais novos, aqueles que ainda estão a estudar ou a ingressar no mundo do trabalho e se estão a aperceber que não é por aí, grito a plenos pulmões: – “NÃO É TARDE PARA MUDAR. VOLTA ATRÁS E RECOMEÇA.”

Grito isto porque por experiência própria sei que por mais difícil que seja mudar agora, acordar todos os dias de manhã para ir fazer um trabalho de que não gostamos e que nos rouba energia e alegria de viver, dia após dia, ano após ano, é MUITO pior.

 

O QUE TE FAZ FELIZ?

Quando a pergunta é:  O que te faz feliz?

Respostas comuns são: Os filhos, a família, os amigos, ter saúde, viajar, ir à praia, ter uma casa, um carro.

Claro que tudo isto são coisas fantásticas e fontes de bem estar e prazer. No entanto, é sabido que há no mundo muitas pessoas que têm tudo isto e ainda mais, a sentirem-se infelizes todos os dias e há também quem não tenha nada disto e viva com um lindo sorriso no rosto.

Isto acontece porque a felicidade não está no que se é, no que se tem ou no que se faz. A felicidade está no que se sente.

O segredo para ser feliz é a gratidão que sentimos por tudo o que nos acontece, pelo que temos, somos ou fazemos.

A gratidão é mais do que dizer obrigado. É um sentimento de apreço e de agradecimento pela vida.

Claro que é fácil sentirmos gratidão quando tudo nos corre bem. Mas mesmo assim há quem não o sinta. Há quem se sinta sempre insatisfeito a querer mais e mais e a queixar-se das coisas que não tem em vez de se sentir grata pelas que tem. Se queremos ser felizes está na hora de pararmos com os queixumes. Por mais legítimos que nos pareçam, não nos trazem felicidade.

Quando nos queixamos, entramos num estado de desânimo que leva a que cada vez encontremos mais motivos para nos queixarmos. Torna-se um ciclo vicioso.

Acontece exactamente o mesmo com a gratidão. Quanto mais  gratos nos sentimos, mais satisfeitos com a vida ficamos e mais motivos para nos sentirmos gratos encontramos.

A gratidão pode e deve ser treinada.

Como?

Uma óptima maneira de treinar a gratidão é, no final de cada dia, tirarmos cinco minutos para revermos o dia e detectarmos as situações em que nos sentimos gratos. Nos primeiros dias, principalmente se não foi um dia bom, podemos ter dificuldade em encontrar dois ou três motivos. Mas com o passar do tempo, torna-se cada vez mais fácil e quando damos por nós, há dezenas de motivos para nos sentirmos gratos todos os dias. O que é isso senão felicidade?

Eu faço isto habitualmente e durante uns tempos até escrevia num papel os motivos porque me sentia grata.  Ia colocando os papelinhos dentro de um frasco de vidro e passado pouco tempo, só de olhar para o frasco sentia-me feliz por ver que tinha muitos motivos para me sentir grata.  😀

Pode parecer tolice, mas se contribui para a minha felicidade e não prejudica ninguém, porque não?

Vou  retomar este hábito.

Alguém se quer juntar a mim?

 

Hoje é o dia da criança. Tive vontade de escrever sobre gratidão porque me sinto infinitamente grata por ter dois filhos amorosos e saudáveis na minha vida.

Para além disso, hoje sinto-me especialmente grata pelo nascimento do Artur, o meu novo sobrinho, que trará certamente muitos sorrisos e momentos de verdadeira alegria e gratidão a todos os que fizerem parte da vida dele, eu incluída. 🙂