FERDINANDO

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“Era uma vez, em Espanha…um pequeno touro que se chamava Ferdinando. Todos os touros da mesma idade gostavam de correr e saltar e dar marradas uns aos outros. Todos, menos Ferdinando. Do que ele gostava era de estar sossegado, a cheirar as flores…”

 

Um clássico que data de 1936, no qual, para além da clara rejeição à violência das touradas, se toca, de forma muito poética, nos temas da liberdade individual e do respeito pela diferença. Temas que infelizmente continuam actuais e de suma importância.

A Kalandraka recuperou a primeira versão deste clássico de Munro Leaf, ilustrado a preto e branco por Robert Lawson.

Descobri no site da editora que este era o livro preferido de Gandhi e que na Alemanha nazi, Hitler ordenou que fosse queimado. Dois motivos fortíssimos para que todas as crianças do mundo tenham acesso a esta bonita história de paz e tolerância.

O Francisco só conheceu este livro a semana passada e já o lemos 3 vezes desde então. Desconfio que é dos que vão ser lidos vezes sem conta.

Recomendo para maiores de 4 anos.

 

 

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Uma Noite Caiu Uma Estrela

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Este livro é muito especial.

A história, escrita pelo David Machado, é super apelativa para os miúdos, é muito divertida e, como tudo o que o David escreve, está muito bem pensada e muito bem escrita.

As ilustrações são soberbas. O Paulo Galindro é muito talentoso e tem um bom gosto irrepreensível. Todas as ilustrações deste livro são a preto e branco mas brilham como poucas. Cada página é uma obra de arte digna de qualquer museu.

Eu fico ali quietinha a olhar, a sentir-me pequenina e a pensar como é possível que seja tão lindo.

Sinopse

“Uma noite, cai uma estrela na terra. Um menino resolve guardá-la sem saber que a luz emitida pela estrela vai impedir toda a gente de dormir. É uma história sobre coragem, sobre superação de adversidades, sobre a aventura que é ser-se criança.”

Alfaguara, 2015

Recomendo para maiores de 3 anos

Um tabuleiro de Damas muito especial

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Desenhamos a quadrícula de um tabuleiro de Damas numa folha, pintamos e colamos num cartão para ficar mais resistente.

Com plasticina moldamos as peças em duas cores diferentes. A plasticina ao ar acaba por endurecer e temos assim as peças para o nosso jogo de Damas.

Fizemos isto cá em casa num dia em que o Francisco não foi à escola por estar doentinho. Nessas alturas é sempre bom dar asas à imaginação e arranjar alguma coisa especial para fazer.

É muito fácil de fazer e como não tem que ficar perfeito para funcionar bem, os miúdos conseguem efectivamente participar na construção e adoram.

Durante algum tempo, jogámos às damas todos os dias. O jogo propriamente dito é bastante simples de jogar e o Francisco adora. Mas acredito que o que ele gosta mesmo muito é do facto de ter sido construído em família. Para além de construirmos um jogo, construímos memórias felizes. Não há nada mais especial. 😉

Ainda hei-de plastificar o tabuleiro, para não se estragar com o tempo.

 

A história de Erika

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Kalandraka no seu melhor.

A autora, Ruth Vander Zee, escreveu esta história depois de, por mero acaso, ter conhecido  Erika e esta lhe ter contado a sua história.

“Eu nasci em 1944. Não sei o dia. Não sei que nome me deram. Não sei em que cidade nem em que país vim ao mundo. Nem sequer se tive irmãos. O que sei é que quando tinha apenas uns meses fui salva do Holocausto…”
É a história comovente e chocante de uma sobrevivente do extermínio judeu na Alemanha nazi.
“No seu caminho para a morte, a minha mãe lançou-me para a vida.”
 
As ilustrações maravilhosas de Roberto Innocenti, são ao estilo hiper-realista, como só poderia ser numa história tão cheia de verdade. O valor simbólico da cor, está muito presente e contribui para tornar o livro ainda mais rico ao reforçar a profundidade do texto.
Quem me conhece já adivinhou que me emocionei e me desfiz em lágrimas ao ler a história de Erika.
Este livro é recomendado para crianças a partir dos 10 anos. Ainda é cedo, mas um dia vou fazer questão que os meus filhos o leiam. Espero que se emocionem e fiquem com um nó na garganta como eu fiquei. Espero  que se sintam gratos, muito gratos, por terem a vida boa que têm e se dêem conta do que de facto tem valor na vida.
É importante que os miúdos de hoje conheçam esta história. Só mantendo a história presente se pode impedir que a história se repita, não vos parece?
GRATA por ter este livro na minha vida.
Recomendo para adultos e crianças a partir dos 10 anos.

Mary Jonh

Ana Pessoa escreveu e Bernardo Carvalho ilustrou.

Um romance juvenil em forma de carta,  ora de amor ora de reclamação, que se atreve a explorar temas vistos como tabu, como o da sedução amorosa e da sexualidade, sem nunca ser nem vulgar nem moralista. É uma história de amor sincera e descomplexada.

Ler este livro foi para mim como voltar atrás no tempo, mergulhar de cabeça na minha adolescência e reviver os meus amores e desamores com a distância de quem já sabe que vai ficar tudo bem. Soube-me muito bem. Para os adolescentes de hoje acredito que será uma boa oportunidade para, como a protagonista, organizar pensamentos e emoções, adquirir uma maior auto-consciência e a clareza necessária para percorrer o seu caminho e viver as suas escolhas.

Recomendado para leitores maiores de 14 anos.

Eis um excerto:

O sangue todo na cabeça.

 Tu estás mesmo à minha frente, o teu corpo invertido. Primeiro os teus pés, depois os calções e só depois o tronco. É divertido olhar para ti ao contrário. No final, o teu rosto de baixo para cima: o queixo, a boca, o nariz e os olhos, que também olham para mim. Eu quero continuar de pernas para o ar, mas os meus braços não. Os meus braços fraquejam.

Quando regresso à terra, vejo estrelas e também vejo o teu rosto no meio das estrelas. Tu perguntas: Queres fazer o pino contra mim? E eu faço o pino contra ti. Eu grito: Não me largues! E tu não me largas. As tuas mãos nos meus tornozelos e não há nada mais perfeito do que as tuas mãos nos meus tornozelos.

Se calhar o amor era aquilo, Júlio Pirata.

Uma pessoa ao contrário.

É possível. É até provável.

Tu não achas, Júlio?

Uma parte de mim acha que sim. Mas a outra parte de mim diz:

Badamerda para o amor, Pirata.

A nossa história não tem nada a ver com o amor.

Eu sei disso, tu sabes disso. E eu sei que tu sabes disso.

Mas na altura não sabíamos. Tínhamos seis ou sete anos. A praceta era toda nossa.

 

 

 

A BICICLETA QUE TINHA BIGODES

de Ondjaki

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Este livro é um verdadeiro tesouro.  Já tinha ouvido falar do autor, mas ainda não tinha lido nada dele. Vou ler mais. Adorei. É um livro muito bonito, onde a amizade, a partilha e a criatividade estão em primeiro plano.

A Rádio Nacional de Angola promove um concurso e oferece como grande prémio uma bicicleta à criança que escrever a melhor história. Com este pano de fundo, num bairro de Luanda, onde a luz eléctrica ainda é por vezes uma miragem mas onde ninguém perde as novelas brasileiras, três crianças, querendo ganhar a dita bicicleta vão pedir ajuda ao Tio Rui, um escritor muito famoso que vive na sua rua. O Tio Rui inventa estórias e poemas que até chegam a outros países muito internacionais, como a “Julgoeslávia”.

Uma das lições que tiramos desta história é que a busca é muitas vezes mais valiosa do que a conquista.  Não ganham a bicicleta, mas tudo o que vão ganhando na sua busca se revela muito mais precioso.

O final, como muitos outros momentos é hilariante, mas tanto nos faz soltar umas belas gargalhadas como nos põe a pensar em coisas sérias e profundas.

É um livro muito feliz, que me faz feliz.

Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, acho absolutamente maravilhoso para crianças a partir dos 10 anos.

Eis um excerto:

“O matabicho ia aparecendo, devagar, para parecer que tinha muita coisa. A minha Avó com os teatros dela: bocados de pão, depois a manteiga, leite aguado já misturado assim na cozinha para eu não ver, um bocadinho de café que eu sempre pedia.

– Avó, tu não tomas leite?

– Só café.

Era mentira de poupar as coisas para as crianças, pois quando havia mais de um pacote a Avó também matabichava leite.

– Eu sei que estás a pensar na bicicleta.

– É verdade, Avó. Quer dizer, o camarada presidente devia organizar o país.

– Ai é?

– Sim. Devia dar bicicletas sem ser preciso uma pessoa estar a inventar estórias. Ainda pode acontecer que as crianças fiquem mentirosas.”

STRANGER THINGS

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Eu e o Bruno, depois de deitarmos os miúdos temos andado a ver uma série que me conseguiu agarrar ao ecrã o que, desde que sou mãe, não é tarefa fácil. Geralmente adormeço no sofá em poucos minutos.

A série chama-se STRANGER THINGS. Passa-se nos anos 80 numa pequena cidade do Indiana nos Estados Unidos.  A banda sonora e todos os adereços e ambientes remetem-nos mesmo para os eighties.

Tudo começa quando um miúdo desaparece misteriosamente. A mãe e os amigos estão dispostos a tudo para o encontrar. Entretanto aparece uma rapariga com capacidades fora do normal e há um laboratório do governo onde algo de muito estranho e secreto se passa.

Há uma criatura monstruosa na história. Se eu soubesse disso inicialmente, nem teria começado a ver o primeiro episódio. Não gosto de filmes com esse tipo de personagens. Acho sempre que são demasiado parvos para merecerem o meu investimento de tempo a vê-los, prefiro-os mais realistas. No entanto,  a relação de amizade entre os personagens mais novos é tão maravilhosa, que para mim o foco são eles e foram eles que me fizeram ficar fã da série. Os pequenos actores são mesmo fantásticos e tenho a sensação de que foram capazes de crescer a cada episódio.

Se ainda não estão convencidos de que vale a pena ver, digo-vos que houve vários momentos que me fizeram lembrar o ET e os Goonies, dois dos filmes com que toda a minha geração vibrou em criança. Não é necessário dizer mais nada, pois não?

Se têm aí em casa miúdos com 12, 13 anos ou mais crescidos, claro, aproveitem para ver em família.

Beijinhos

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