NÃO TE AFASTES

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Assim que bati o olho na capa deste livro, pensei:  “Tenho de o ler”. O título e a ilustração da capa são de uma ternura que derrete corações.

Gosto TANTO! A narrativa é absolutamente encantadora. A história envolve, aconchega, desassossega, comove e impele a continuar a leitura sem parar até à última palavra.

O Tomás culpa-se pela morte do pai e convicto de que coisas más acontecem às pessoas quando ele está por perto, foge de casa para proteger a mãe e os amigos. Mas o país é fustigado por um furacão e, de um dia para o outro, o Tomás vê-se a lutar corajosamente pela sobrevivência no meio de destroços e inundações, perdido e desesperado. É envolto nesta tragédia que encontrará um amigo inesperado, um rinoceronte bebé desaparecido do zoo e sempre na sua companhia, o jovem protagonista vai empreender a viagem de volta ao abraço da mãe.

A narrativa, simples e bem estruturada, surge em dois tempos, o passado, contado pelo próprio Tomás e o presente, narrado na terceira pessoa.

A trama, intensa e comovente, sobre o desgosto da perda e o poder curativo da amizade,   fará certamente as delícias dos leitores.

Sugiro para pequenos e graúdos a partir dos 9 anos de idade.

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OS FIGOS SÃO PARA QUEM PASSA

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Há muito tempo que queria fazer um post sobre este livro, mas por um motivo ou por outro tem sido adiado. Gosto MUUINTO deste livro. Já tem algum tempo, é de 2016, alguns de vocês já conhecem certamente, mas haverá quem não conheça e por isso me faz sentido partilhá-lo aqui.

Começa assim:

“No princípio, o mundo era só um. Tudo era de todos, ninguém pertencia a nada, nada pertencia a ninguém.

Os animais caminhavam sem se preocupar com o seu destino ou com o seu regresso. Pois, regressar para onde, se não havia casas, nem lugares marcados? Ia-se simplesmente andando, comendo e dormindo onde calhava.”

Nesse tempo os animais circulavam sem destino,sem planos, sem hora para chegar e sem coisas para transportar. A marmita com o almoço, então, nem pensar!

Uns dias comia-se melhor, noutros nem por isso, mas ao longo do caminho havia sempre frutos maduros para alimentar quem por ali passasse.

Até que um dia, porque há sempre um dia, tudo mudou. Um urso decidiu sentar-se junto a uma figueira esperando o amadurecer de um figo. Com a barriga a roncar de fome lá ficou, esperando, e muitas peripécias aconteceram.

Para quem serão os figos afinal? Serão para quem passa ou para quem espera? Para os mais fortes ou mais rápidos? Serão para quem tem mais fome? Destas questões podem nascer belas conversas com os mais pequenos, ajudando-os a descobrir as várias perspetivas de uma mesma situação.

A história é divertida e as ilustrações simples em cores sólidas fazem o resto. É muito giro para crianças a partir dos 4 anos, mas parece-me ainda mais perfeito para leitura autónoma a partir dos 6 ou 7 anos. O texto tem letras grandes e pretas em fundo branco o que encoraja à leitura os pequenos leitores iniciantes.