CRICTOR

Faleceu a semana passada o genial Tomi Ungerer, autor de vários livros infantis maravilhosos. Já vos falei no Allumette, aqui. Gosto muito de todos os livros dele. Distinguem-se pela ironia e um  humor espirituoso que me enche as medidas. Hoje falo-vos do CRICTOR e nas próximas semanas virão outros, especiais para mim.

Era uma vez, numa pequena cidade francesa, uma senhora velhinha, Madame Boudot, que recebe de presente, do filho que estuda répteis em África, uma cobra.

Ao abrir aquela estranha caixa em forma de O que lhe chega pela mão do carteiro, a simpática senhora solta um grito. Que susto! Depois de confirmar no Zoo que a pequena cobra é inofensiva, a Madame Bodot adota CRICTOR como seu animal de estimação.

Com uma enormíssima dose de originalidade e um grande sentido de humor, o autor  humaniza e descontextualiza a dócil jiboia dando forma a muitas situações caricatas e divertidas.  A Madame Bodot alimenta CRICTOR a biberão enquanto bebé, leva-a a passear pela cidade, bebem refresco juntas na esplanada de um café, leva-a para a escola onde leciona e CRICTOR brinca com as crianças e até aprende a desenhar as letras e os número. No inverno a jibóia usa, para se proteger do frio, uma camisola de malha bem comprida que a querida senhora tricotou.  

A jibóia, perante uma situação de perigo para a sua dona, revela-se astuta e capaz de atos de grande coragem e a partir desse momento torna-se uma heroína, adorada por toda a cidade.

As ilustrações a traço fino, salpicadas de suaves tons verdes e encarnados, são riquíssimas em detalhes surpreendentes.

Gosto muito deste livro e as crianças divertem-se imenso com as situações inusitadas vividas por CRICTOR. Lá em casa apaixonaram-se e querem uma cobra de estimação na família. 🙂

Recomendo para maiores de 6 anos.

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Miséria

Este livro é um compêndio hilariante de situações em que as crianças se sentem miseráveis. Com um humor entre o negro e o encantador, surgem pérolas como estas:

“Miséria

é quando guardas a tua moeda da sorte

no bolso que está roto.”

“Miséria

é quando corres para casa

para ir à casa de banho

e te sentas à pressa

e o teu irmão esteve lá antes de ti.”

Ser criança não é nada fácil e nós adultos esquecemo-nos muitas vezes disso. Pois este pequeno grande livro  faz-nos voltar à infância e lembra-nos o quanto pequenos infortúnios podem ser sentidos pelas crianças como grandes desgraças.

As ilustrações simpres a preto e branco, o texto em fundo laranja e a capa em cartão grosso num livro cozido à mão, fazem desta edição uma perfeição.

Para professores, este livro é um convite a aulas fantásticas. Imaginem as vossas turmas a usar este livro como mote para construírem livros de autor com os mais variados temas como a liberdade, o amor, a loucura ou qualquer outro que queiram trabalhar em sala de aula. O resultado serão certamente trabalhos delíciosos e as conversas e debates sobre os temas terão muito mais cor. Fica o desafio.

NOTA IMPORTANTE: Este livro não pode ser lido por crianças que ainda acreditam no Pai Natal pois o “Miséria é quando descobres que o Pai Natal afinal não existe” também lá está. 😉