Três com Tango

 

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Este livro chegou a Portugal pela Kalandraka em 2016. Foi publicado originalmente nos Estados Unidos da América em 2005 e desde então tem sido muito premiado, mas também alvo de muitas tentativas de censura e muitas queixas por abordar questões relacionadas com a adopção por casais do mesmo sexo. 

É a história verdadeira de um invulgar casal de pinguins-de-barbicha, ao qual um tratador do Zoo do Central Park em Nova Iorque, ofereceu a oportunidade de ter um filho, colocando um ovo no seu ninho, depois de observar as suas tentativas frustradas de chocar uma pedra. Nasceu Tango, o primeiro pinguim fêmea a ter dois pais.

“Quando Silo ficava com sono, dormia. E quando Silo acabava de dormir e de chocar, ia nadar e Roy ficava a chocar. Dia após dia, Silo e Roy chocavam uma pedra. Mas não aconteceu nada.

Então, o senhor Gramzay teve uma ideia. Encontrou um ovo que precisava de quem tratasse dele e levou-o para o ninho de Roy e Silo.”
Quanto a mim, combina muito bem texto informativo com texto literário e conta uma história bonita e verdadeira sem fazer juízos de valor. Acho delicioso.

Sugiro para crianças maiores de 4 anos.

 

 

 

 

 

O autocarro de Rosa Parks

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Escrito por Fabrizio Silei e ilustrado por Maurizio A. C. Quarello, este livro editado em Portugal pela Dinalivro, com a chancela da Amnistia Internacional, conta uma história verídica.

No Museu Henry Ford, em Detroit, um avô conta ao neto como, em 1955, numa altura em que nos Estados Unidos da América a segregação racial estava presente e era visível para todos, uma frágil costureira afro-americana de 42 anos chamada Rosa recusou ceder o seu lugar no autocarro a um passageiro branco – apenas porque era branco. Este ato de coragem viria a mudar decisivamente a história do movimento pelos direitos civis dos negros norte-americanos.

Nessa altura, brancos e negros viviam em paralelo. Havia escolas, cafés, lojas e casas de banho públicas com letreiros pendurados que diziam WHITES ONLY (Só para brancos, proibida a entrada de negros.) Sobre os negros pairava uma nuvem de terror pois a violência sobre eles era imensa. Dentro desta história o avô conta outra, o trágico exemplo de Jeremy, o bagageiro que sobrevivera à fúria do Ku Klux Klan, que ajuda o neto a entender o que era a vida de um negro num tempo não tão distante assim.

Graças a Rosa Parks o mundo começou a mudar. Rosa foi presa naquele dia e como forma de apoio a comunidade uniu-se em protesto e deixou de andar de autocarro. Ao fim de 14 meses de luta jurídica, liderada por Martin Luther King, o Supremo Tribunal declarou finalmente como inconstitucional a segregação racial nos transportes.

As ilustrações são realistas, como a história exige, e na última páginas trazem-nos até tempos mais felizes.

“Há sempre um autocarro que passa pela vida de cada um de nós. Mantém os olhos bem abertos e não percas o teu.”

Recomendo para adultos e crianças a partir dos 9 anos.

8 Sugestões para a Feira do Livro

 

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A Feira do Livro de Lisboa abre portas no dia 1 de Junho. Prometi a algumas mães, amigas e seguidoras do blog que antes dessa data faria aqui algumas sugestões de livros para as primeiras leituras autónomas dos nossos miúdos. Assim, hoje trago sugestões de bons livros que podem ser lidos por meninos e meninas que estão a dar os primeiros passos no mundo maravilhoso da leitura. São livros simples, com frases curtas e com pouco texto em cada página. Para fazer esta selecção, pedi ajuda ao meu filho Francisco, um entusiasmado leitor em formação. Ele seleccionou os seus preferidos na estante lá de casa e agora eu destaco os seis que  melhor cumprem o objectivo. Depois destes tenho ainda duas sugestões de livros que já li, gostei e ainda não temos cá em casa. Espero comprá-los na feira do livro.

  1. Orelhas de Borboleta – Kalandraka

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“- A Mara é orelhuda!

– Mãe, tu achas que eu sou orelhuda?

– Não, filha. Tens é orelhas de borboleta.

– E como são as orelhas de borboleta?

– São orelhas que revoluteiam na cabeça e pintam as coisas feias de mil cores.”

 É sabido que as crianças, na sua ingenuidade podem ser muito cruéis e entre elas, qualquer insignificante característica como umas orelhas maiores ou um cabelo mais rebelde podem ser motivo para troça.

Cabe a nós, adultos sensatos e bem formados, mostrar-lhes que tal comportamento é reprovável. Este livro dá uma ajuda nessa missão mas, de forma absolutamente deliciosa e com grande sensibilidade, vai ainda mais longe.

A Mara, a menina desta história, alvo da troça dos colegas pelos mais variados motivos, aprende a converter em positivo aquilo que para os outros é motivo de gozo. É o que nos distingue dos outros que nos torna únicos e especiais e essas nossas características podem e devem ser valorizadas. O reconhecimento desse facto vai levar a pequena Mara a aceitar-se, a gostar das suas diferenças e até a rir de si própria.

 

  1. O sonho de Mateus – Kalandraka

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“Os ratos eram muito pobres, mas tinham grandes expetativas para Mateus.

Quando ele crescesse, talvez viesse a ser médico. Então, teriam queijo parmesão

ao pequeno-almoço,ao almoço e ao jantar.

Mas quando lhe perguntavam o que é que ele queria ser, Mateus respondia:

– Não sei… Eu quero ver o mundo.”

 No dia que visitou um museu pela primeira vez a vida de Mateus mudou. Mateus percebeu que o “mundo inteiro” estava ali, diante dos seus olhos. O pequeno ratinho tem agora grandes aspirações. Quer ser pintor e viajar pelo mundo expondo os seus quadros em todas as  galerias de prestígio. Entretanto no museu, enquanto se deixa encantar pela beleza da arte que o envolve, Mateus conhece e apaixona-se por Nicoleta uma linda ratinha também maravilhada com aqueles quadros. Nessa noite sonha com ela.

Esta história fez despertar no meu filho Francisco a vontade de ir a museus para ver quadros. Levei-o à Gulbenkian e ao Museu Berardo e ele ficou fascinado.

 

  1. O Dia em que o Senhor Bonifácio Ficou em Casa Doente – Editorial Presença

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“Hoje estou muito cansado para fazer corridas – disse o Senhor Bonifácio à tartaruga. Vamos brincar às escondidas!

A tartaruga escondeu-se dentro da sua carapaça. O Senhor Bonifácio escondeu-se debaixo do cobertor.”

Este é um livro maravilhoso tanto pela história simples e bonita que nos faz sorrir e nos enternece como pelas ilustrações de traços simples e delicados.

É a história de amizade  entre o Senhor Bonifácio que trabalha no zoo e os animais, seus amigos especiais, para quem está sempre disponível. Certo dia o Senhor Bonifácio fica doente e não vai trabalhar. Os animais sentem a sua falta e preocupados vão até casa dele fazer-lhe uma visita e retribuir todas as atenções que o amigo sempre teve para com eles.

 

  1. A Surpresa de Handa – Caminho

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Este livro, da colecção deste outro, é muito divertido e as ilustrações vibrantes são lindas.

Tem muito pouco texto. Apenas uma frase simples em cada folha, o que o torna ideal para um pequeno leitor a precisar de ganhar confiança nas suas capacidades. Na verdade poderia não ter nem uma palavra escrita pois as magníficas ilustrações por si só contam a história.

A Handa mete num cesto algumas frutas para fazer uma surpresa à sua amiga Akeyo. Pelo caminho, com o cesto cheio de fruta apetitosa à cabeça,  passa por vários animais.  Ao chegar junto da amiga tira o cesto da cabeça e quem tem a surpresa é a Handa!

 

  1. O Pequeno Inventor – Orfeu Mini

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O Pequeno Inventor não é só uma história com ilustrações absolutamente maravilhosas. É uma inspiração para muitos inventos fantásticos realizados em família.

O Noma quer construir o melhor comboio de sempre. Para isso planeia todos os passos, faz uma pesquisa, recolhe todos os materiais necessários e com a tesoura na mão e várias caixa de cartão constrói um fantástico comboio. Fica de tal forma feliz e orgulhoso que talvez um dia possamos viajar num comboio de verdade construído por ele.

Qualquer criança que ler este livro vai sentir uma vontade irresistível de dar asas à sua criatividade e de realizar grandes projectos. Não percamos a oportunidade de as acompanhar nesta aventura e de voltarmos a ser crianças durante umas horas.

 

  1. Corre Corre, Cabacinha – OQO editora

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“Não vi velha nem velhinha,
nem velhinha nem velhão.
Corre corre, cabacinha.
Corre corre, cabação!”

Corre corre, cabacinha é um conto popular português de grande tradição. Conta a história de uma velhinha que, a caminho da boda da sua neta, encontra um lobo, um urso e um leão que a querem comer. Consegue convencer os animais a esperarem por ela no regresso pois voltará mais gordinha depois da boda. No final da festa, a neta e a velhinha engendram um plano muito original para enganar as três feras.

Com um ritmo ágil e empregando a “lengalenga”  deixa os pequenos leitores encantados.

 

  1. Damião, a toupeira furacão – Nuvem de Letras

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Ainda não temos este livro cá em casa. Penso comprá-lo durante a feira do livro. Já o li apressadamente numa tarde passada numa livraria e gostei muito.

A autora é a Anna Llenas que admiro muito. O  Monstro das Cores de que já falei aqui no blog também é dela.

Sinopse:

O Damião é uma toupeira muito irrequieta. Gosta de brincar e de aprender, mas o seu ritmo é demasiado para os amigos e para a escola, que muitas vezes o põem de parte por não o compreenderem.
 

8. Dia bom ou dia mau? – Oficina do Livro

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Eu já li e adorei.  Quero muito que os meus filhos o leiam para aprenderem um bocadinho mais sobre os segredos para ser feliz. Também está na minha lista de compras.

Sinopse:

Dia bom ou dia mau? é um livro sobre crianças pessimistas e crianças otimistas.

Os gémeos Abel e Amália vão crescendo ao longo do livro, mas não deixam de ser crianças.

O Abel vê a vida como uma taça de gelado meio vazia e a Amália como uma taça de gelado meio cheia.

No final, feitas as contas, quem é que vive mais dias sorridentes?

 

O Convidador de Pirilampos

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Este livro é absolutamente delicioso. Escrito por Ondjaki e ilustrado por António Jorge Gonçalves, tanto o texto como as imagens contam uma história divertida, muito criativa e ternurenta que vale mesmo a pena dar a conhecer aos miúdos.

O CONVIDADOR DE PIRILAMPOS fala-nos de um menino que gosta de “cientistar coisas”. “Cientistar é o que nós, os cientistas e inventores, fazemos.”

Já inventou um “aumentador de caminhos”, que “serve para se deixar perto das pedras e esperar! Se uma pessoa está na Floresta e pensa que chegou a um lugar sem saída, usa este aumentador de caminhos e continua a andar um pouco mais.”

Inventou também um “convidador de pirilampos”. Com ele o menino apanha pirilampos   para iluminar a noite escura e conversa com eles em código morse.

O companheiro destas aventuras é o avô com quem mantém ao longo da história um diálogo divertido e carregadinho de afetos, mesmo como eu gosto.

Sugestão para maiores de 7 anos.

 

 

O Ponto

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Uma história breve e simples que diz muito.

Numa aula de desenho, perante a folha de papel em branco, a Vera afirma.– Eu não sei desenhar”. A professora pede-lhe: “- Tenta fazer uma marca qualquer e vê onde ela te leva”. Irritada a Vera, com toda a força, crava um marcador no papel fazendo um ponto. A professora pede-lhe para assinar. Na aula seguinte, a Vera vê o seu ponto exposto, numa fantástica moldura dourada. Desde esse dia, a Vera pinta, pinta e pinta, dando asas a toda a sua criatividade.

O final da história é encantador. Não revelo. Têm que ler.

Este livro é um convite a todos, pequenos ou graúdos, para que deixem a sua marca. Citando o autor, Peter H. Reynolds: “Embora o tema seja sobre arte, na verdade, é sobre o processo criativo: ideias, pensamento criativo, expressão, originalidade, coragem e partilha.”

Perfeito.

Sugiro para maiores de 5 anos.

A História de Ferdinando

Já vos falei desta história aqui no blogue. O livro, da Kalandraka é maravilhoso, um dos meus preferidos das prateleiras cá de casa.

Em Dezembro, esta obra ganhará nova vida no cinema. Se não fosse pelo calor que já se vai sentindo e pelas saudades que tenho de dar uns belos mergulhos nos mar, estaria já a ansiar pelo Natal.

Espreitem o trailer oficial. Parece ter tudo para ser um grande sucesso.

O PIOLHO SABE QUE

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Hoje é o dia Internacional do Livro Infantil. Eu comemoro este dia e simultaneamente o facto de o meu filho Francisco ter lido o seu primeiro livro sozinho. O meu piolho leu, sem qualquer ajuda, o livro ” O PIOLHO SABE QUE” publicado pela Orfeu Mini.

É um livro muito engraçado. Todo o livro é um jogo de imagens e palavras que no final surpreende, com humor, mostrando que o piolho não sabe nada de nada. Com apenas uma frase curta em cada página e com ilustrações simples e apelativas pode ser o livro ideal para quem está a começar a ler mas está pensado também para mais pequeninos. Cá em casa, foi comprado para o mais novo mas ambos se divertem e desfrutam dele.

Recomendo para maiores de 2 anos