SUGESTÕES DE NATAL IV

PARA ADOLESCENTES APAIXONADAS

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Não acredito que exista uma adolescente apaixonada neste mundo que não goste deste livro. Já falei dele aqui.

 

PARA APRENDER SOBRE A AMIZADE

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No interior da floresta húmida vive um pequeno panda solitário. Vê ao longe uma linda pandinha e quer conquistar a sua amizade mas não sabe como.

Vai observar como fazem os outros animais e vai tentar imitá-los. Será que vai conseguir chamar a atenção da pequena panda? Ficarão amigos?

Uma história simples e muito bonita sobre a amizade e sobre sermos nós próprios.

As ilustrações deste livro são absolutamente perfeitas, muito delicadas e em tons lindíssimos.

Recomendo para maiores de 3 anos.

 

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Mais um livro encantador sobre amizade com uma história bonita e ilustrações fabulosas.

Um ursinho encontra na floresta uma coisa estranhíssima. É grande, parece uma caixa e produz sons magníficos. Esta descoberta acaba por levá-lo para longe de casa para uma terra maravilhosa onde vai viver momentos fantásticos. Imaginem que até vai ficar famoso!

Mas apesar de tudo, o ursinho sente falta dos seus amigos e acaba por voltar para casa. O que será que esse regresso lhe reserva?

Recomendo para maiores de 5 anos.

 

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Do mesmo autor do “O Urso e o Piano”, este livro é também muito muito bonito. As ilustrações são lindíssimas e a história é divertida, delicada e profunda.

O avô fala muitas vezes no gigante que vive escondido na cidade e que em segredo ajuda toda a gente. O Billy não acredita mas um dia decide verificar com os seus próprios olhos. Quando o vê, apanha um valente susto e foge assustado. Mas com este susto vem também uma GIGANTE lição sobre a amizade e a aceitação das diferenças.

Recomendo para maiores de 5 anos.

 

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SUGESTÕES DE NATAL II

Hoje trago-vos 5 sugestões de livros para oferecer a crianças de todas as idades. Os primeiros dois abordam assuntos sérios e são para os mais crescidos, os outros três são de ir às lágrimas de tanto rir.

PARA OS MIÚDOS CONHECEREM TEMAS IMPORTANTES DA HISTÓRIA DO MUNDO

 

Já escrevi sobre estes dois livros lindíssimos baseados em factos reais aqui e aqui.

 

PARA SOLTAR BOAS GARGALHAS

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Este livro é hilariante. O personagem esquisitóide, implora que o leitor não vire as páginas. Usa os mais variados argumentos, mas claro que mudar a página é irresistível. O final é surpreendente e muito divertido.

Recomendo para maiores de 2 anos. Para crianças de 6 ou 7 anos continua a ser hilariante.

 

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Quatro contos muito divertidos.

Um rapaz que mete o seu longo nariz onde não é chamado, uma menina tão boazinha que não lava a cabeça para não matar os piolhos que vivem nas suas tranças, um menino tão medricas tão medricas que um dia resolve comprar um cão, e um senhor tão forte que é capaz de carregar carros e elefantes!

Recomendo para maiores de 5 anos.

 

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Uma história de suspense muito original e ao estilo de bollywood. As ilustrações são muito giras e criativas à base de colagens e a história é de rir, de tão tonta que é.

O Capitão Coco é um detetive genial (ou nem por isso). Sábio como uma coruja (ou talvez não), teimoso que nem um burro e um tipo superespecial (mesmo). Investiga o desaparecimento de várias bananas de casa da Sra. Y. Quem comeu as bananas e onde estão as cascas? Interrompendo a narrativa surgem três momentos musicais típicos de Bollywood que serão tão hilariantes quanto a imaginação dos pequenos leitores.

Recomendo para maiores de 7 anos.

O Homem que Plantava Árvores

 

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Depois dos dias tristes que se viveram no nosso país por causa dos incêndios que destruíram florestas e vidas humanas, apeteceu-me falar-vos deste livro. Por ser baseado em acontecimentos verdadeiros,  poderá inspirar-nos e ajudar a trazer esperança aos nossos corações.

É a história de um homem solitário dono de uma generosidade sem limites, que com as próprias mãos e com o seu esforço constante e paciente faz surgir do nada uma floresta inteira com um ecossistema rico e sustentável, transformando o sítio onde vive num lugar especial.

“Quando pensamos que tudo aquilo brotara das mãos e da alma deste homem – sem quaisquer meios técnicos – compreendemos que os homens podem ser tão eficazes como Deus noutras áreas além da destruição. “

Cada um de nós pode realmente fazer a diferença no mundo.

Recomendo para adultos e crianças a partir dos 10 anos.

O autocarro de Rosa Parks

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Escrito por Fabrizio Silei e ilustrado por Maurizio A. C. Quarello, este livro editado em Portugal pela Dinalivro, com a chancela da Amnistia Internacional, conta uma história verídica.

No Museu Henry Ford, em Detroit, um avô conta ao neto como, em 1955, numa altura em que nos Estados Unidos da América a segregação racial estava presente e era visível para todos, uma frágil costureira afro-americana de 42 anos chamada Rosa recusou ceder o seu lugar no autocarro a um passageiro branco – apenas porque era branco. Este ato de coragem viria a mudar decisivamente a história do movimento pelos direitos civis dos negros norte-americanos.

Nessa altura, brancos e negros viviam em paralelo. Havia escolas, cafés, lojas e casas de banho públicas com letreiros pendurados que diziam WHITES ONLY (Só para brancos, proibida a entrada de negros.) Sobre os negros pairava uma nuvem de terror pois a violência sobre eles era imensa. Dentro desta história o avô conta outra, o trágico exemplo de Jeremy, o bagageiro que sobrevivera à fúria do Ku Klux Klan, que ajuda o neto a entender o que era a vida de um negro num tempo não tão distante assim.

Graças a Rosa Parks o mundo começou a mudar. Rosa foi presa naquele dia e como forma de apoio a comunidade uniu-se em protesto e deixou de andar de autocarro. Ao fim de 14 meses de luta jurídica, liderada por Martin Luther King, o Supremo Tribunal declarou finalmente como inconstitucional a segregação racial nos transportes.

As ilustrações são realistas, como a história exige, e na última páginas trazem-nos até tempos mais felizes.

“Há sempre um autocarro que passa pela vida de cada um de nós. Mantém os olhos bem abertos e não percas o teu.”

Recomendo para adultos e crianças a partir dos 9 anos.

HISTÓRIAS ESCRITAS NA CARA – cada avó é um livro de contos

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Este livro é um tesouro em todos os aspectos.  A escrita da Isabel Zambujal é irrepreensível, as ilustrações da Madalena Ghira são uma delícia e a história é daquelas que faz crescer o coração. É sem dúvida um dos meus livros preferidos.

Nesta história, há várias histórias. São histórias de vida que os anos que passam vão deixando marcadas no rosto de cada um.

A Clara, está de férias em casa da avó, numa aldeia chamada Suspiros. A avó está sempre pronta para contar uma história. Uma das que a Clara nunca se cansa de ouvir é sobre a origem do nome Suspiros.

“Mas as histórias de que a Clara mais gostava era daquelas que estavam escritas no rosto da avó: por curtas ou compridas linhas junto aos olhos, perto da boca ou na testa, por pequenas sardas instaladas na ponta do nariz e até por uma cicatriz que lhe dava um ar de eterna traquinas.

O ritual era sempre o mesmo: fosse nas noites com espírito de Natal ou naquelas que cheiravam a Verão, a avó passava os serões a contar as experiências de vida à Clara.”

Todas as histórias contadas pela avó são encantadoras. A minha preferida e que faço questão que os meus filhos um dia conheçam é a história de uma ruga que se chama Ernesto e que está associada a um terramoto que houve no dia em que a avó fez doze anos.

Em vez da festa de aniversário, a família começou a organizar meios para ajudar os mais afectados. “O frio estava a chegar e depois de o chão ter tremido iam tremer muitos dentes. O nosso ajudante, o Ernesto, era um gaiato de nove anos que já era pobre antes de ter nascido… o pequeno Ernesto nunca desanimava e dizia-me: «Menina, pé de pobre não tem número. E pobre não troca de roupa, a roupa é que troca de pobre. Vai primeiro para o irmão pobre, depois para o primo pobre, depois para o neto pobre, e assim por diante, até a pobre roupa já não perceber se nasceu camisola ou cachecol.». E no meio daquela pobreza, o franzino Ernesto, sem nunca saber, ensinou-me uma lição valiosa: nós temos quase sempre mais do que aquilo de que precisamos.”

É uma lição que a maior parte de nós sabe, mas que muitas vezes esquece.

Os livros ditos para crianças têm muito para ensinar aos adultos.

Este livro, é um daqueles livros que deixa eco.

Recomendo para maiores de 7 anos.

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As ANTIPRINCESAS

Com o nome de “Antiprincesas“, a colecção da editora Tinta da China, conta com quatro títulos.  O primeiro deles conta a história da artista Frida Kahlo, o segundo foi dedicado à chilena Violeta Parra, o terceiro à boliviana e militar Juana Azurduy e o último à escritora Clarice Lispector.

Na contracapa de cada livro podemos ler:

As antiprincesas não são do contra só porque sim: não se resignam, e lutam para fazer valer aquilo que pensam. Como não usam tiaras, podem virar tudo de pernas para o ar e arriscar o que bem lhes apetece, como por exemplo mudar o mundo. Mesmo não tendo superpoderes, as antiprincesas são superpoderosas e sabem que a história é feita pelas mulheres reais. “

Esta colecção surge com a intenção de inspirar as meninas e mostrar que elas podem ser muito mais do que princesas.  Estas “antiprincesas” são contra a passividade e a submissão; inspirando meninas a serem as protagonistas das suas próprias vidas gozando da liberdade que é poder escolher o seu próprio caminho.

Há certamente quem se vá insurgir, achando que uma ou outra destas antiprincesas não foram bem escolhidas.  A esses digo que, tal como qualquer outra mulher, estas mulheres não eram perfeitas. Eram  mulheres reais. Perfeitas são as princesas da Disney e não é isso que se pretende nesta colecção. Que as nossas meninas queiram ser todos os dias melhores do que no dia anterior acho fantástico, mas que não pretendam ser super-mulheres ou viverão frustradas a vida inteira.

Se me perguntassem que mulher gostaria de ver retratada nesta colecção, eu responderia sem pestanejar, Madre Teresa de Calcutá.

Destas quatro, a minha preferida é a Juana Azurduy. Nunca tinha ouvido falar dela nem dos seus feitos e fiquei encantada.

Recomendo para adultos e maiores de 10 anos.

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Frida Kahlo

Foi uma importante pintora mexicana do século XX. É considerada, por alguns especialistas em artes plásticas, uma artista que fez parte do Surrealismo. Porém, a própria Frida negava que era surrealista, pois dizia que não pintava sonhos, mas sim a  sua própria realidade. Destacou-se ao defender o resgate à cultura dos astecas como forma de oposição ao sistema imperialista cultural europeu.

Frida teve uma vida de muito sofrimento. Uma doença na infância fez com que a sua perna direita crescesse menos do que a esquerda. Um acidente que a deixou na cama durante longos meses e a obrigou a muitas cirurgias. Um relacionamento doentio com o marido, com amantes e violência. Consumo abusivo de álcool, principalmente depois do divórcio. Impossibilidade de ter filhos e três abortos.

No livro não fala no álcool, já no que diz respeito à relação com o marido, cito: “Diego e Frida casaram-se não uma, mas duas vezes. Apesar disso tiveram outros amores, mesmo vivendo juntos. Como noutras coisas, o sentimento amoroso foi mais partilhado do que era costume naquela época. Os amigos e amantes eram muitos, e para Frida o amor tanto de refletia em homens como em mulheres”

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Violeta Parra

Viajou pelos lugares mais remotos do Chile a fazer uma recolha de canções tradicionais e assim as salvou do esquecimento. Era autodidacta, aprendendo sozinha a tocar vários instrumentos, a pintar e a bordar. Aprendeu a tocar guitarra sozinha e em segredo com a guitarra do pai.

Proveniente de uma família humilde, com a mãe costureira e o pai professor, ambos com gosto pela música folclórica.

Casou duas vezes e teve quatro filhos.

Fez programas na radio, gravou discos, ganhou prémios, fundou um museu e foi a primeira artista latino-americana a ter uma exposição individual no Louvre.

“Fez-se um grande silêncio. Apesar de não compreenderem aquela língua, as pessoas comoveram-se com a voz profunda que lhes falava de um país distante: ela era a voz dos pobres, das lavadeiras, das apanhadeiras de fruta, dos mineiros, dos artistas de rua…

A atuação de Violeta comoveu de tal maneira as pessoas daquele país frio, que no dia seguinte, enquanto ela caminhava pelas ruas, lançaram-lhe flores das varandas.”

Teve um final trágico. Suicidou-se.  No entanto, no livro, somos poupados a esta informação.

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Juana Azurduy

Ao aperceber-se da vida difícil e injusta do povo da Bolívia, não conseguiu ficar indiferente.  Juntamente com o marido, Manuel Padilla, enfrentou a cavalo muitas batalhas  pela libertação da América do Sul.

De saia branca, casaco vermelho, com os filhos nos braços e seguida por outras amazonas, tornou-se guerreira muito antes de serem admitidas mulheres no exército.

“O que mais chamava a atenção dos realistas era uma mulher garbosa e de gentil presença que montava um cavalo brioso e percorria as ruas armada de pistolas e espada. Parecia chefiar as turbas invasoras, que a seguiam com um entusiasmo atroador e delirante. Desafiava a morte com indiferença, avançando bem perto das bocas dos canhões”

“Ao ver que a filha corria perigo de vida, rugiu com força, derrubou o chefe com um só golpe e falou aos outros em quéchua. Eles ficaram especados a vê-la apertar a filha contra o peito, saltar para o cavalo e lançar-se às águas revoltas do rio.”

Morreu velhinha, na casa onde vivia com uma das filhas, a neta e um menino que tinha a seu cargo. O funeral foi humilde, não teve as honras que uma heroína merecia.

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Clarice Lispector

Nasceu na Ucrânia numa família de judeus. Devido à perseguição religiosa de que eram alvo mudaram-se para o Brasil.

Jornalista e escritora, escreveu romances, contos e crónicas. Considerava-se uma anti-escritora porque, ao contrário dos grandes escritores que gostavam da solidão e isolamento para escrever, Clarice fazia questão de manter uma vida activa e por isso escrevia com a máquina de escrever no colo e os filhos a brincarem à sua volta.

Teve uma vida de luxo na Europa com o marido, um diplomata, mas nunca se identificou com aquele tipo de vida e acabou por abandonar a vida de princesa para voltar ao seu tão amado Brasil onde viveu junto ao mar até ao fim da sua vida.

Dizia sempre o que pensava e o que sentia.

“Sou uma mulher que escreve, porque para mim escrever é como respirar, necessário para sobreviver. Talvez por causa disso não goste de falar sobre os meus livros. O que eu tinha de dizer está neles. Acredito na interpretação de cada leitor. Sou como uma mãe animal. Os livros são as minhas crias, esqueço-me depressa deles. Não reconsidero, não analiso, não fomento em mim orgulhos falsos.”

A Árvore Generosa

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Mais um clássico absolutamente essencial em qualquer biblioteca.  Uma história escrita e ilustrada por Shel Silverstein em 1964 e publicada em português pela Bruaá editora.

A história de amor entre uma árvore e um menino.

Todos os dias o menino subia o seu tronco, balouçava-se nos seus ramos, comia as suas maçãs, descansava à sua sombra e a árvore sentia-se feliz. Mas o tempo passou. O menino cresceu tornou-se egoísta e deixou de “ver” a árvore mas a generosidade da árvore não tem limites.

Este livro não é apenas comovente, é profundamente triste e profundamente belo.

Um livro para graúdos e miúdos a partir dos 7 anos.