Vamos pôr os miúdos a ler

Depois do post triste, assustador e preocupante sobre as dificuldades que os miúdos de hoje têm com a leitura, decidi trazer esperança.

Enquanto pais podemos ajudar muito a evitar o problema. Podemos ler para eles enquanto são mais pequenos e ler com eles enquanto estão a aprender.  Temos que nos certificar que os nosso filhos adquirem a capacidade de ler e interpretar o que lêem e o que ouvem. Vamos lá pôr os miúdos a ler.

ALGUMAS DICAS QUE PODEM AJUDAR:

Leiam para os vossos filhos desde sempre. Não há idade para começar.Lerem juntos é uma forma poderosa para motivar os miúdos a ler pois deste modo, eles farão uma associação positiva entre a leitura e o tempo passado com os pais.

Deixem os vossos filhos mexer em livros. Ensinem-os desde cedo a manuseá-los e se uma ou outra página se rasgar, não é nada que fita cola e um pouco de paciência não resolvam.

Leiam. Os vossos filhos vão imitar. Há uma idade em que imitam tudo. Aproveitem isso e dêem o exemplo.

Conversem sobre os livros. Quando lerem para eles ou com eles, vão observando o seu rosto e os seus olhos. Tentem perceber se eles estão a perceber o que está a ser lido e no final conversem sobre o livro. Deixem os vossos filhos falar sobre o que leram. Se notarem dificuldade, não entrem em pânico, não os assustem nem os critiquem, tenham paciência e não desistam.

Façam de uma visita à biblioteca uma aventura. Há tanto para explorar. E porque não convidarem  alguns amigos dos vossos filhos para irem juntos à biblioteca?  Façam-se sócios e requisitem livros para levar para casa.

Deixem os miúdos escolher os livros que querem ler. São eles que têm que gostar. É esse o objectivo, certo?  É bom que façam sugestões, mas não os forcem a ler o que acham que eles deviam ler.

E porque não um clube do livro com os amigos ou com a turma? Na turma do Francisco, os pais estão a organizar-se nesse sentido. É muito fácil. Cada criança leva um livro para a escola para partilhar com os colegas. Semanalmente os livros rodam até que todos os tenham lido e cada livro volte ao seu dono. Lerem os mesmos livros, conversarem sobre eles e partilharem histórias tornam a leitura mais divertida e aliciante.

Livros sobre factos, com assuntos que lhes interessem, podem ser bons aliados na hora de motivar os que tendem a distrair-se com histórias muito longas.  Não têm que ser histórias, nem têm que ser para ler do início até ao fim. Enciclopédias infantis sobre animais, desporto, arte,  por exemplo, ou  livros sobre factos incríveis, são geralmente muito apreciados.

Leiam em conjunto. Quando os miúdos estiverem a começar a aprender a ler, leiam em conjunto. Interrompam a leitura de vez em quando e deixem os miúdos ler palavras simples. Isto fará com que vão ganhando confiança nas suas capacidades enquanto leitores.

Façam uma visita à feira do livro. Uma bela tarde de Sol, passada numa feira do livro pode ser uma experiência inesquecível. Depois da primeira visita do Francisco à feira do livro de Lisboa, ele começou a fazer um mealheiro para comprar livros no ano seguinte. Cada vez que arranja uma moeda, lá vai ele pôr na caixinha.

Não têm que ser livros. O mundo mudou e hoje gostar de ler não significa necessariamente gostar de ler livros. Há muita coisa boa na internet que os miúdos podem ler, mas atenção, não os deixem à vontade na escolha porque todos sabemos que há também muito lixo.

Oiçam livros. Nas viagens de carro, porque não recorrer a audio-livros para entreter os miúdos? É uma forma excelente de trabalhar a compreensão e interpretação de informação oral.

 

Nos próximos dias vou deixar-vos algumas sugestões de livros muito apreciados cá em casa pelos miúdos. Comprem, requisitem na biblioteca ou peçam ao Pai Natal. Divirtam-se à volta dos livros.

Até breve

 

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O que vai mal na Escola em Portugal?

Antes de mais deixem-me que vos diga que não dediquei horas de estudo a esta questão nem andei a ler estudos à procura de uma resposta. Estou a basear-me simplesmente na minha experiência profissional. Esta é apenas a minha opinião e é apenas uma das várias respostas a esta pergunta.

Dou aulas há 16 anos. Tive 5 turmas por ano com uma média de 28 alunos por turma, aproximadamente. Ora isto quer dizer que tive cerca de 2240 alunos.

Já ouviram falar em analfabetismo funcional? Um analfabeto funcional é alguém que apesar de conhecer as letra e as conseguir juntar formando palavras e de conseguir ler frases simples e textos curtos, não desenvolveu a capacidade de interpretar o que lê. Um analfabeto funcional é também alguém que não consegue fazer operações matemáticas simples.

Nos últimos 7 ou 8 anos, a quantidade de alunos que tive com este problema é assustadora. Eu diria que cerca de 50% dos meus alunos nos últimos anos são analfabetos funcionais.

A dificuldade que estes alunos têm na aprendizagem de qualquer disciplina é enorme, mas o problema não acaba aqui. Estes alunos foram crescendo sentido que de ano para ano as matérias são mais difíceis e cada vez conseguem perceber menos do que está a ser leccionado nas aulas. A vergonha e a frustração de não se sentirem capazes instala-se. A desmotivação é enorme.

É como chegarmos à China e toda a gente falar connosco em Chinês exigindo que nós entendamos e respondamos e não podemos pura e simplesmente virar costas, entrar no avião e voltar para casa. Temos que lá ficar vários anos, dia após dia.

É bem mais fácil para estes alunos desligar e nem sequer ouvir o que está a ser dito, conversar com os colegas e pensar noutras coisas do que continuar a esforçar-se para perceber o que o professor está a dizer. Continuar esse esforço é demasiado cansativo e frustrante. Desligar a atenção da aula, pode ser divertido. Daí até se tornarem os rebeldes, os mal comportados, os rufias vai uma curta distância. Não só é menos frustrante como é bem aceite pelos colegas e ao nível da auto-estima, é bem melhor chumbar ano após ano por ter um comportamento desajustado do que por não ser capaz de aprender. Se o motivo do insucesso for o mau comportamento, o aluno está no controlo da situação, é ele que escolhe comportar-se mal e isso fá-lo sentir-se melhor do que na situação de não ser capaz de ter sucesso independentemente dos esforços que faça.

Porque é que isto acontece não sei explicar. Talvez algum colega com experiência no pré-escolar ou no 1º ciclo consiga dar resposta a esta questão. O que eu sei é que é assim que muitos alunos chegam ao 7º ano e que por isso não aprendem e devido ao seu comportamento, impedem os outros de aprender.

É triste. É muito triste e também muito assustador pensar no futuro do nosso país.

😦

 

SETEMBRO

Adoro o mês de Setembro. É mês de começos e recomeços, é mês de mudanças e esperanças, é mês de novos projectos e de novas energias para projectos antigos. É mais ou menos como Janeiro, mas sem frio e chuva 😉

Estou entusiasmada e feliz  neste SETEMBRO. Tenho o coração pleno de alegria e de gratidão e a mente focada no que quero ser e fazer. Vou fazer deste SETEMBRO o início de tempos vibrantes de crescimento e amor.

😀 Juntem-se a mim 😉

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O Coaching é Campeão Europeu

… e garanto-vos, é muito merecedor deste título.

O homem do golo dedicou-o à sua coach e muita gente ouviu falar de coaching agora pela primeira vez. Muitos já tinham ouvido mas têm uma ideia errada sobre o que é. Há quem associe o coaching à formação, mas o coaching não é formação, um coach não dá formação nem nada que se pareça com isso. Há também quem associe o coaching às vendas e ache que é uma ferramenta que os “malvados” dos vendedores usam para convencerem as pessoas a comprar o que não querem. Há quem pense num coach como alguém frenético que grita entusiasticamente frases de incentivo a grupos de vendedores no sentido de os motivar e de lhes dar energia para venderem mais e melhor. De facto esta figura existe mesmo em imobiliárias e na industria farmaceutica por exemplo, mas mesmo que lhes chamem coach, isto não é coaching. Não é mesmo. O coaching também não é terapia apesar de já o ter visto associado à psicologia.

Eu sou coach, formada pelo ISPC-International School of Professional Coaching e por isso vou deixar aqui alguma informação sobre o assunto.

Na base do coaching está, antes de mais, a crença no potencial que todos os seres humanos têm. Cada um de nós tem um potencial ilimitado e pode e consegue realizar tudo aquilo a que se propuser.

Certamente alguns de vocês não acreditam nisto. Provavelmente cresceram a ouvir os adultos a dizerem coisas como, “a vida é difícil” ou “…isso é impossível, o melhor é desistires dessa ideia e pores os pés no chão” ou “… isso é bom demais para ser verdade…” ou ainda “… isso é demais para ti…”

Quem vos disse este tipo de coisas tinha a melhor das intenções, mas estava errado. Certamente pensava estar a fazer o melhor para vos preparar para as dificuldades que viriam a enfrentar nas vossas vidas.

Se há 50 ou 60 anos atrás alguém se lembrasse de falar em algo que fosse minimamente parecido com os telemóveis que temos hoje, o que é que o mundo inteiro estaria  prontinho para responder? – “Isso é loucura, é impossível, esquece isso, põe mas é os pés no chão, isso seria bom demais para ser verdade”.

Mas qual é a verdade? A verdade é que houve alguém que um dia acreditou que era possível e por isso hoje aqui estão eles. A evolução da tecnologia é um exemplo claríssimo de que uma ideia que hoje parece estapafúrdia para muita gente, pode tornar-se em algo real. Também graças a essa tecnologia, o golo que o Éder marcou e que fez de Portugal o Campeão da Europa correu o mundo inteiro numa fracção de segundos.

De forma muito clara, apresento-vos 5 perguntas e 5 respostas que acredito vos vão deixar esclarecidos sobre este assunto.

 

1. O que é o coaching?

Trata-se de um processo que produz mudanças positivas e duradouras. O Coaching permite tirar um indivíduo do seu estado actual e levá-lo ao estado desejado. O processo de Coaching permite a clarificação dos pontos fortes individuais levando ao aumento da autoconfiança e à quebrar de barreiras e limitações, para que as pessoas possam conhecer e atingir o seu máximo potencial, alcançar as suas metas de forma objectiva e assertiva, atingindo um estado de maior realização e felicidade.

2.  Porque é que funciona?

O coaching funciona porque através dele o coachee passa por um processo de tomada de consciência do potencial que tem em si, de tal forma intensa e poderosa que se torna claro que o único caminho a seguir é o do sucesso. Se pensarmos na nossa vida como um filme, nós somos o realizador e nós decidimos e escolhemos o rumo da nossa história.

3. Quem precisa de um coach?

Qualquer pessoa que se sinta insatisfeita com alguma área da sua vida, que queira melhorar alguma coisa ou alcançar algum objectivo. Ou até para qualquer pessoa que sinta que precisa de novos objectivos na vida ou de se oferecer um novo rumo e não saiba qual.

4. Como se processa uma sessão de coaching?

Sabendo do potencial ilimitado em todos nós, durante o processo de coaching, o coach dá ao cliente a oportunidade de ganhar consciência do seu potencial ilimitado e de o levar à superação e a tornar-se melhor em qualquer coisa a que se queira dedicar, a atingir objectivos que o realizem e a ser mais feliz.

No início de uma sessão de coaching, que é confidencial, o cliente (coachee) define um objectivo para a sessão. Pode ser, por exemplo: “descobrir quais são os seus talentos”, “qual é a profissão ideal para si”, “criar uma estratégia para lidar de forma mais harmoniosa com alguém”, “ criar um plano de acção para melhorar o seu negócio”, “criar um plano de acção para ter uma vida mais feliz”, etc. Pode ser qualquer coisas desde que o coachee considere que é importante e que está disposto a agir no sentido de alcançar o objectivo.

Depois de definido o objectivo o coach vai fazendo perguntas que estimulam o coachee e despertam nele todo o seu potencial, o inspiram e o levam a encontrar as respostas mais adequadas a si e ás suas circunstâncias que o levam na direcção que deseja e na realização do objectivo definido. O coach em nenhum momento dá respostas, indica caminhos ou influencia o coachee. Se o fizer estará a desviar-se do código de conduta ética da profissão.

No final de uma sessão bem sucedida, o coachee tem um plano de acção traçado para iniciar o caminho em direcção ao seu objectivo, sai consciente do seu potencial ilimitado e sente-se verdadeiramente comprometido consigo próprio e com o plano que traçou, mal podendo esperar para o por em acção.

5. O que são todos os nichos e ramificações do coaching de que se ouve falar?

No Coaching existem dois grandes nichos principais, o Self Coaching – voltado para atender necessidades pessoais e o Executive Coaching ou Business Coaching – voltado a atender necessidades corporativas e empresariais.

Dentro destes dois nichos começaram a surgir uma série de ramificações. Por exemplo, dentro do coaching pessoal surgiram  o coaching familiar, coaching de relacionamentos, coaching financeiro, coaching de emagrecimento, coaching desportivo entre outros. Na área executiva ou de negócios temos por exemplo o coaching de liderança, coaching de comunicação, coaching de performance, coaching corporativo.

Todas estas “especializações” surgiram por uma questão de contexto.

Se o coachee é um administrador de uma empresa que procura um coach porque quer melhorar por exemplo as suas competências como líder, podemos chamar-lhe coaching de liderança. No entanto, esse líder pode ser casado e ter família e sente uma grande pressão para conseguir conjugar o seu trabalho exigente com o tempo em família e porque não tem tido tempo para fazer exercício ou para se alimentar como dever ser, tem uma barriguita proeminente que o anda a incomodar e lhe traz alguma insegurança.  Numa situação destas, todos estes assuntos podem ser objectivo de uma sessão de coaching até porque o coachee pode chegar à conclusão que umas situações estão relacionada com outras.

Faz sentido separar o Self Coaching do Executive ou Business Coaching por causa das terminologias usadas no mundo empresarial que é necessário que o coach conheça para que a comunicação entre o coach e o coachee seja clara. As ramificações dentro que cada um destes nichos esbatem-se, porque a metodologia do coaching é apenas uma e o trabalho do coach é o mesmo seja qual for a ramificação na qual se inclui uma determinada sessão.

Espero ter-vos esclarecido. Qualquer dúvida ou questão, cá estarei.

Beijinhos e abraços, CAMPEÕES 😉

Para marcação de sessões de coaching: coachmariajoaoviegas@gmail.com

 

A CAPACIDADE DE RIRMOS DE NÓS PRÓPRIOS

Sabermos rir de nós próprios é uma prova de sabedoria e maturidade. Significa que reconhecemos os nossos limites, temos consciência das nossas imperfeições e nos aceitamos exactamente assim. Conseguirmos isto faz com que tenhamos a capacidade de compreender melhor os outros, de desvalorizarmos coisas insignificantes e assim, termos relacionamentos mais felizes e sermos pessoas mais agradáveis.

Alguém que se leva exageradamente a sério torna-se arrogante, demasiado crítico e pouco tolerante. Nem é feliz nem deixa ninguém ser feliz à sua volta. Perante um comentário menos positivo reage como se estivesse a ser atacado, o que na verdade mostra insegurança e fraca auto-estima.

Quem se ama, sente-se seguro sobre si próprio e sobre os seus  actos. Consegue brincar com criticas e responder com ligeireza e bom humor. Consegue ouvir, pedir desculpa e mudar se achar que o deve fazer.

Os casais que eu conheço que estão juntos há uma eternidade e continuam felizes são aqueles que mais capacidade têm de rir de si próprios. Lembro-me de um em especial, a Ana e o Bruno,  que são o casal mais divertido que conheço. Em casa deles ri-se muito mesmo. Há momentos em que, quem não os conhece, pode pensar que eles estão a gozar um com o outro, mas a verdade é que no fundo eles estão a dizer um ao outro que apesar das falhas e fraquezas de cada um, continuam a aceitar-se exactamente como são e a amar-se.

É bonito ou não é?

Se eu consigo rir de mim própria? Tenho dias em que estou mais bem disposta e outros em que nem por isso. Tenho momentos e tenho pessoas. Momentos de stress em que tudo o que me dizem me irrita. Pessoas que têm a capacidade de me por a ranger os dentes muito facilmente e outras com quem sou de gargalhada fácil.

O que é que isto me diz sobre mim? Diz-me que tenho trabalho a fazer.

Bora lá rir mais de nós próprios e ser mais felizes? 😀

MUDAR DE VIDA

Parece que toda a gente à minha volta está insatisfeita com a vida que tem, principalmente a nível profissional. Há muita gente desempregada ou em trabalhos precários. Há muita gente que teve que emigrar para conseguir trabalhar. Há muita gente que estudou muito na área que o apaixona e que teve que abandonar para fazer o que apareceu, para ter um ordenado da treta ao final do mês. Estes, toda a gente compreende que estejam insatisfeitos.

No entanto, há igualmente muita gente que tem o trabalho que sempre desejou e é bem pago por isso e também está insatisfeito. Querem mais e melhor. Ou querem diferente. Ou não sabem o que querem. Sabem apenas que não se sentem no seu melhor. Que não têm tempo para fazer as coisas que realmente os apaixonam porque as obrigações que têm os deixam assoberbados.

Eu própria, tenho a profissão que escolhi e estou insatisfeita. A nível de ordenado recebo o espectável para a função que desempenho ou seja, não andei iludida a achar que ía receber mais. Vejo muitas vantagens na minha profissão, principalmente a disponibilidade que consigo ter para os meus filhos sempre que necessário. Mas mesmo assim, estou insatisfeita. Muito insatisfeita. Há-de haver quem esteja a pensar que estou armada em parva e que tenho mais é que agradecer o facto de ter um trabalho. A esses posso dizer que me sinto muito grata por ter este trabalho, porque me tem sustentado a mim e aos meus e porque me permite dar aos meus filhos o apoio de que as crianças pequenas precisam. No entanto, não quero ter este trabalho a vida toda porque sinto que há mais e melhor reservado para mim. Sinto que mereço ter uma profissão que me permita dar o melhor de mim e ser melhor a cada dia.

Hoje sei que quando escolhi a minha profissão, não o fiz pelos motivos correctos. Apesar de os meus pais nunca me terem influenciado neste sentido, nem noutro qualquer, tudo à minha volta me condicionou. Há um percurso que se espera que as pessoas percorram. E eu, como “boa miúda” e “atinada” que era, percorri o meu.

São muito poucos os abençoados que aos 13 ou 14 anos, quando o sistema de ensino lhes começa a exigir as primeiras escolhas, fazem ideia o que querem fazer no resto das suas vidas.

Eu andei até os trinta e tal sem saber o que queria ser quando fosse grande.

Mesmo os que acham que sabem, acabam muitas vezes por mudar de ideias porque os interesses vão mudando há medida que crescem, porque as coisas que valorizam se alteram, porque surgem novas possibilidades, porque conhecem novas pessoas ou novos lugares que os inspiram.

Quando isto acontece, quando a mudança começa a apetecer, há quem tenha maturidade para reestruturar a sua vida, dar um passo atrás e reinventar-se e há quem não tenha. Há quem pense que é tarde de mais. Eu percebi no início da faculdade que não estava no caminho certo, mas não quis ouvir aquela vozinha que insistentemente na minha cabeça me dizia que tinha que voltar atrás e recomeçar. Não quis ouvir, porque era difícil, porque não sabia que nova direcção seguir, porque exigia coragem,  porque exigia deixar para trás uma vida que eu estava a adorar. Eu era uma miúda e não tinha noção do peso que a não mudança teria na minha vida.

 

Hoje sei o que quero e como lá chegar. Não foi fácil descobrir, deu muito trabalho, foi necessário desconstruir-me para perceber como montar o puzzle novamente. Agora que sei para onde vou, estou a caminho. É um caminho mais longo e demorado porque tenho dois filhos e não posso pura e simplesmente jogar tudo para trás das costas como teria feito aos vinte anos, mas estou a caminho.

A todos os insatisfeitos eu tenho vontade de dizer, muda-te. Mas quem sou eu para o fazer? Cada um sabe da sua vida e dos seus condicionamentos. Cada um que decida como viver.

Quanto a mim, não desisto. Quero chegar ao final da vida, bem velhinha, olhar para trás e sentir que valeu a pena. Quero sentir que vivi intensamente, que me diverti, que me melhorei a cada dia, que me amei e me tratei bem e que por tudo isto dei o melhor de mim.

Aos mais novos, aqueles que ainda estão a estudar ou a ingressar no mundo do trabalho e se estão a aperceber que não é por aí, grito a plenos pulmões: – “NÃO É TARDE PARA MUDAR. VOLTA ATRÁS E RECOMEÇA.”

Grito isto porque por experiência própria sei que por mais difícil que seja mudar agora, acordar todos os dias de manhã para ir fazer um trabalho de que não gostamos e que nos rouba energia e alegria de viver, dia após dia, ano após ano, é MUITO pior.

 

O QUE TE FAZ FELIZ?

Quando a pergunta é:  O que te faz feliz?

Respostas comuns são: Os filhos, a família, os amigos, ter saúde, viajar, ir à praia, ter uma casa, um carro.

Claro que tudo isto são coisas fantásticas e fontes de bem estar e prazer. No entanto, é sabido que há no mundo muitas pessoas que têm tudo isto e ainda mais, a sentirem-se infelizes todos os dias e há também quem não tenha nada disto e viva com um lindo sorriso no rosto.

Isto acontece porque a felicidade não está no que se é, no que se tem ou no que se faz. A felicidade está no que se sente.

O segredo para ser feliz é a gratidão que sentimos por tudo o que nos acontece, pelo que temos, somos ou fazemos.

A gratidão é mais do que dizer obrigado. É um sentimento de apreço e de agradecimento pela vida.

Claro que é fácil sentirmos gratidão quando tudo nos corre bem. Mas mesmo assim há quem não o sinta. Há quem se sinta sempre insatisfeito a querer mais e mais e a queixar-se das coisas que não tem em vez de se sentir grata pelas que tem. Se queremos ser felizes está na hora de pararmos com os queixumes. Por mais legítimos que nos pareçam, não nos trazem felicidade.

Quando nos queixamos, entramos num estado de desânimo que leva a que cada vez encontremos mais motivos para nos queixarmos. Torna-se um ciclo vicioso.

Acontece exactamente o mesmo com a gratidão. Quanto mais  gratos nos sentimos, mais satisfeitos com a vida ficamos e mais motivos para nos sentirmos gratos encontramos.

A gratidão pode e deve ser treinada.

Como?

Uma óptima maneira de treinar a gratidão é, no final de cada dia, tirarmos cinco minutos para revermos o dia e detectarmos as situações em que nos sentimos gratos. Nos primeiros dias, principalmente se não foi um dia bom, podemos ter dificuldade em encontrar dois ou três motivos. Mas com o passar do tempo, torna-se cada vez mais fácil e quando damos por nós, há dezenas de motivos para nos sentirmos gratos todos os dias. O que é isso senão felicidade?

Eu faço isto habitualmente e durante uns tempos até escrevia num papel os motivos porque me sentia grata.  Ia colocando os papelinhos dentro de um frasco de vidro e passado pouco tempo, só de olhar para o frasco sentia-me feliz por ver que tinha muitos motivos para me sentir grata.  😀

Pode parecer tolice, mas se contribui para a minha felicidade e não prejudica ninguém, porque não?

Vou  retomar este hábito.

Alguém se quer juntar a mim?

 

Hoje é o dia da criança. Tive vontade de escrever sobre gratidão porque me sinto infinitamente grata por ter dois filhos amorosos e saudáveis na minha vida.

Para além disso, hoje sinto-me especialmente grata pelo nascimento do Artur, o meu novo sobrinho, que trará certamente muitos sorrisos e momentos de verdadeira alegria e gratidão a todos os que fizerem parte da vida dele, eu incluída. 🙂